Conto literário

Conto de mentiras ditmarsiano

O narrador conta uma série de histórias absurdas e impossíveis sobre eventos inverossímeis para ilustrar a natureza da mentira e, finalmente, revela que tudo era uma falsidade libertada por uma trombeta.

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Conto de mentiras ditmarsiano

Contar-lhes-ei, porventura, uma história verdadeira? Vi duas galinhas assadas voando, e todos as olhavam, pois voavam de barriga para cima e de costas para baixo, sem querer saber de nada.

E ainda vi uma bigorna com duas mós flutuando pelo rio, bem devagarinho e levezinho; vi uma rã, no meio do verão, sentada sobre o gelo e roendo um dente de ferro da grade aradora.

Vi como três irmãos saíram em perseguição a uma lebre, subiram em muletas e em pernas-de-pau; um era mudo, outro cego, o terceiro não tinha uso de nenhuma das mãos.

E a capturaram: e sabes como?

O cego foi o primeiro a avistar a lebre, o mudo espantou-a com um grito, e o sem-mãos puxou-a pela gola.

E ouvi também que uns rapazes quiseram navegar por terra num barco e içaram a vela, mas os ventos sopraram — eles subiram a montanha e ali se afogaram.

O lagostim, recuando de costas, ultrapassou um cavalo de corrida, e o boi, tendo subido ao telhado da isba, comeu toda a palha do camponês.

E ainda mais: aqui na nossa aldeia, as abelhas — cada uma do tamanho de um punho.

Não acreditas?

Espera — abrirei a chaminé: soltarei a mentira pela chaminé.