Contar-lhes-ei, porventura, uma história verdadeira? Vi duas galinhas assadas voando, e todos as olhavam, pois voavam de barriga para cima e de costas para baixo, sem querer saber de nada.
E ainda vi uma bigorna com duas mós flutuando pelo rio, bem devagarinho e levezinho; vi uma rã, no meio do verão, sentada sobre o gelo e roendo um dente de ferro da grade aradora.
Vi como três irmãos saíram em perseguição a uma lebre, subiram em muletas e em pernas-de-pau; um era mudo, outro cego, o terceiro não tinha uso de nenhuma das mãos.
E a capturaram: e sabes como?
O cego foi o primeiro a avistar a lebre, o mudo espantou-a com um grito, e o sem-mãos puxou-a pela gola.
E ouvi também que uns rapazes quiseram navegar por terra num barco e içaram a vela, mas os ventos sopraram — eles subiram a montanha e ali se afogaram.
O lagostim, recuando de costas, ultrapassou um cavalo de corrida, e o boi, tendo subido ao telhado da isba, comeu toda a palha do camponês.
E ainda mais: aqui na nossa aldeia, as abelhas — cada uma do tamanho de um punho.
Não acreditas?
Espera — abrirei a chaminé: soltarei a mentira pela chaminé.
Texto verificado