Conto literário

A Princesa Pedacinho de Gelo

A vaidosa princesa de gelo, Lvinka, rejeita um noivo bondoso mas modesto escolhido por seu pai e seduz-se pelas promessas de riqueza e poder do inimigo mortal de sua família, o Rei Sol, levando à sua própria destruição ao subestimar a natureza letal da luz para o gelo.

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A Princesa Pedacinho de Gelo

Numa montanha alta, muito alta, sob o próprio céu, entre as neves eternas, ergue-se o palácio de cristal do rei Frio. Ele é todo construído do gelo mais puro, e tudo nele, desde os largos sofás, poltronas, mesas entalhadas, espelhos, até os pingentes dos candelabros — tudo é de gelo.

O pai, o rei, é severo e sombrio. Sobrancelhas grisalhas pairam sobre seus olhos, e seus olhos são tais que quem quer que olhe para eles sente-se atravessado por um frio cortante. A barba do rei é completamente branca, e nela parecem estar emaranhados brilhos de pedras preciosas, cintilando toda ela com faíscas de gemas.

Mas mais bela que a barba do rei, mais belo que seu alto palácio, mais belos que todos os tesouros são as três filhas do rei, as três belas princesas: Vento de Neve, Geada e Pedra de Gelo.

A princesa Vento de Neve tem olhos negros e uma voz tão sonora que lá embaixo, nos vales, se ouve de longe. A princesa Vento de Neve está sempre extremamente alegre e dança e canta o dia inteiro.

A princesa do meio, Geada, não cede em beleza à irmã mais velha, apenas é orgulhosa e altiva, não troca uma palavra amável com ninguém, não acena com a cabeça para ninguém, e caminha, esguia e corada, por seu aposento, plenamente satisfeita com sua beleza, sem abrir seu coração a ninguém.

Já a irmã mais nova, a princesa Pedra de Gelo, é bem diferente: faladora, loquaz e tão bela que, ao vê-la, até os olhos do severo rei Frio se acendem de ternura, as sobrancelhas grisalhas se distendem e um sorriso bom e afável desliza por seu rosto. O rei admira a filha, ama-a e mim-a tanto que as princesas mais velhas se ofendem e ficam zangadas com o rei por causa disso.

— Pedra de Gelo é a favorita do papai — dizem elas, com inveja.

E que beleza nasceu a princesa mais nova, uma beleza tal que outra igual em todo o Reino de Gelo não se encontra.

Os cachos da princesa são prata pura. Os olhos — como safiras azuis e como diamantes preciosos. Os lábios vermelhos como a flor de uma rosa no vale, e ela mesma toda terna e frágil, como uma preciosa escultura do melhor cristal.

Assim que Pedra de Gelo olha para alguém com seus olhos azuis e radiantes, por esse único olhar cada um estaria pronto a dar a própria vida.

As princesas vivem alegremente em seu alto aposento. Durante o dia dançam, brincam e ouvem as maravilhosas histórias da princesa mais velha, Vento de Neve, e à noite saem para caçar leopardos e cervos.

E então, por todas as montanhas e desfiladeiros, levanta-se tal estrondo e ruído que as pessoas, assustadas com esse barulho, apressam-se a sair das montanhas e da floresta para suas casas.

Somente à noite é permitido às princesas sair de casa. Durante o dia não ousam aparecer fora do aposento, pois o rei Frio e suas filhas-belas têm um inimigo perigoso e terrível.

Esse inimigo é o rei Sol, que vive num alto aposento, acima mesmo do palácio do rei Frio, e sem parar envia suas hostes contra o Reino de Gelo, sem parar manda seus Raios para investigar e saber como vencer mais fácil e melhor o inimigo invencível — o rei Frio. E a inimizade entre eles é antiga, velha. Desde que foi construído o palácio de cristal sobre o penhasco, desde que as abelhas começaram a voar pelos vales em busca de mel, desde que as flores se coloriram na floresta e no campo, desde então surgiu entre o rei Frio e o rei Sol essa inimizade de vida ou morte.

O rei Frio guarda rigorosamente para que o astuto rei não penetre de algum modo em sua morada real, não incendeie com seu fogo fatal suas filhas e o próprio palácio de cristal de gelo.

Dia e noite há guardas de vigia ao redor do palácio real, e lhes foi ordenado rigorosamente vigiar para que nenhum dos Raios-guerreiros do rei Sol penetre ali. E às princesas foi estritamente proibido sair durante o dia do palácio, para que de algum modo não venham a encontrar-se com o rei.

Eis por que o dia inteiro, enquanto o terrível rei passeia por seus domínios e pelos alheios, as belas princesas ficam sentadas no aposento, enfiando colares de pérolas, tecendo fios de diamante e compondo maravilhosas histórias e canções. Mas quando chega a noite, as estrelas de ouro salpicam o céu, a lua clara emerge de trás das nuvens, então elas saem do aposento de cristal e galopam pelas montanhas para perseguir leopardos e cervos.

Mas nem só de perseguir leopardos e cervos, contar estrelas, traçar fios de diamante e compor maravilhosas canções e histórias vivem as princesas.

Chegou a hora de casar as princesas.

O rei Frio chamou suas três filhas e disse:

— Filhas minhas! Nem sempre podereis ficar sentadas no vosso aposento natal sob a asa paterna. Casar-vos-ei com três belos príncipes de nossa terra, três irmãos próprios. A ti, princesa Geada, darei por marido o príncipe Geada-de-Rosto-Vermelho; ele possui riquezas incontáveis de pingentes e adornos preciosos. Com incontáveis tesouros ele te dotará. Serás a princesa mais rica do mundo. A ti, princesa Vento de Neve, darei por marido o príncipe Vento. Ele não é tão rico quanto seu irmão Geada, mas é tão poderoso e tão forte que em poder e força não há igual a ele no mundo. Ele será para ti um bom marido-protetor. Fica tranquila, filha. E a ti, minha favorita — com um sorriso afável dirigiu-se o velho rei à filha mais nova, Pedra de Gelo —, darei um marido que mais te convém. É verdade que ele não é poderoso como o príncipe Vento, nem rico como o príncipe Geada, mas distingue-se por uma bondade e mansidão indizíveis, ilimitadas. O príncipe Neve é teu noivo destinado. Todos o amam, todos o respeitam. E não em vão ele acaricia a todos, cobre a todos com seu branco manto. Flores, ervas e hastes de grama sentem-se no inverno sob seu manto como sob um cobertor quente e fofo. Ele é bom e afável, manso e terno. E um coração bom e afável vale mais que todos os poderes e riquezas do mundo inteiro.

As princesas mais velhas inclinaram-se baixíssimo diante do pai, enquanto a mais nova fez biquinho, franziu as sobrancelhas e sussurrou entre dentes, com voz descontente:

— Não pensaste bem, pai-rei. Encontraste para mim, tua filha favorita, o noivo menos invejável. De que adianta que o príncipe Neve seja bom e afável, se ele não pode presentear-me com adornos preciosos, como Moroz à irmãzinha Geada, nem lutar até a morte, como o príncipe Vento, contra os inimigos e vencê-los a todos com sua força? Além disso, seus irmãos mais velhos têm tanto poder sobre ele! O Vento o faz girar e rodopiar conforme seu desejo, e o príncipe Geada, com um simples gesto da mão, pode prendê-lo ao lugar, e sem sua permissão o pobre príncipe Neve não consegue sequer mover-se.

— Isso mesmo é bom! — disse o rei, franzindo suas sobrancelhas grisalhas. — O príncipe Neve é o mais novo dos irmãos, e a obediência aos mais velhos é uma das melhores virtudes de um jovem príncipe.

Mas a princesa insiste no seu:

— O príncipe Neve não me agrada, pai, não quero casar com ele!

O rei Frio irritou-se, enfureceu-se. Soprou para a direita, soprou para a esquerda. Os gelos-glaciares rangeram, a terra gelou. Todos os animais de pelúcia, de medo, esconderam-se em suas tocas, e a velha águia das montanhas ergueu as asas, mas logo congelou no ar.

E o rei Frio trovejou com sua voz severa contra a filha mais nova:

— O que entendes tu, Pedra de Gelo? Melhor marido não poderias encontrar. E não ouses ser teimosa! Vai para teu aposento e prepara-te para receber esta noite como deve ser o noivo. Para o baile de hoje convidei ao palácio os três príncipes.

Amargamente chorou a princesa, mas não ousou desobedecer ao rei-pai e, de cabeça baixa, arrastou-se para seu aposento.

Sentou-se a princesa num canto, deixando cair lágrimas prateadas de seus olhos azuis, e imediatamente essas lágrimas transformam-se em belas gotinhas de diamante em suas faces.

Recolheu as lágrimas de diamante nas mãos a princesa, olha para elas e pensa: "Eis os tesouros que devo recolher agora, porque meu noivo nada tem e eu própria, com minhas lágrimas, devo criar minha riqueza".

Tola princesa! Ela não sabia que não é a riqueza que constitui a verdadeira felicidade de cada ser.

E de repente a princesa vê que as lágrimas de diamante em sua palma começam a brilhar com luzes maravilhosas. Ela ergueu a cabeça, assustada, e viu que pela janela de seu aposento a espreitava um belo menino, tão luminoso e alegre qual ela nunca vira.

— Quem és tu? — exclamou a princesa, levantando-se de seu lugar e correndo para a janela.

— Sou servo de um jovem rei, que é belo como o dia, poderoso como a águia das montanhas e rico como três reis Frio juntos.

— Mais rico que meu pai e até que o príncipe Geada? — exclamou a princesa, admirada.

— Onde está teu príncipe Geada diante dele! — disse o menino, zombeteiro. — O príncipe Geada é simplesmente um mendigo diante de nosso senhor.

— E como se chama teu rei? — interessou-se a bela.

— Chama-se rei Sol! — disse o menino, orgulhoso.

Mal ele conseguiu pronunciar estas

palavras, quando a princesa, gritando, afastou-se da janela e, cobrindo o rosto com as mãos em terror, exclamou:

— Vai-te! Vai-te! Sei quem és! És o Menino Raio, um daqueles que o Rei Sol envia em guerra contra o nosso reino. Como ousaste e conseguiste penetrar aqui, se há guardas ao redor do nosso palácio?

O Menino Raio apenas sorriu em resposta com seus olhos brilhantes.

— Todos os vossos estão agora ocupados nos preparativos para o baile. Vossos guardas, os Zéfiros, voaram em todas as direções com convites aos hóspedes. Aproveitei-me disso e, como o mais pequeno dos servos do meu rei, penetrei no teu aposento. Que dizes tu a isso, Princesa Gelo?

— Direi apenas uma coisa! — exclamou a princesa, batendo o pé com ira. — Direi apenas uma coisa: teu rei é nosso inimigo jurado, e agora mesmo chamarei a guarda, que virá correr para te prender.

— Não te apresses, princesa! — respondeu o Menino Raio com voz calma. — Bem, supõe que me prendes; e depois, quê? Girarás, como uma cabrinha tola, no baile com teu noivo Neve, e isso se permitirem que ele gire os príncipes mais velhos: Geada e Vento. E depois entregar-te-ão em casamento ao pobre príncipe, seu irmão mais novo, e viverás tua longa vida sem ver nem luxo, nem poder, nem riqueza, tu, a mais bela das princesas. Enquanto isso, tuas irmãs tornar-se-ão famosas através de seus maridos. Elas esperam riqueza e poder.

— Ah, dizes a verdade, Menino Raio — disse Gelo —, a verdadeira verdade. — E ela inclinou tristemente sua linda cabeça.

O Menino Raio olhou-a longamente em silêncio. Um sorriso astuto passou-lhe pelo rosto.

— Não te aflijas, bela Gelo! — disse ele com a voz mais carinhosa. — Não penetrei em teu aposento em vão. Vim aqui com o propósito de pedir-te em casamento para um noivo tão nobre, tão rico, que tuas irmãs estourarão de inveja ao saberem disso. Queres ser esposa do próprio Rei Sol, meu senhor?

A Princesa Gelo até ficou paralisada de horror ao ouvir isso. Durante muito tempo não conseguiu pronunciar palavra alguma, e quando falou novamente, sua voz tremia de emoção e medo.

— Não, não. O Rei Sol é nosso inimigo. Não foi em vão que meu pai, o Czar Frio, escondeu-nos de todas as formas dele. O Sol só busca ocasião para nos destruir — concluiu ela, trêmula.

— E tu acreditas nisso, pequena princesa? — riu sonoramente o Raio. — Tudo isso é absurdo: o Rei Sol é o melhor dos reis do universo. Ele é cuidadoso e carinhoso como uma mãe terna. Se o Czar Frio não quis que vos encontrásseis com ele, foi apenas para que tu e tuas irmãs não vissem que ele mesmo, vosso poderoso senhor e pai, é muito mais fraco que o grande Rei Sol...

— Então é isso! — disse a princesa pensativa. — E eu pensava... Por que então ele luta contra papai? — exprimiu subitamente o pensamento que lhe ocorrera.

— Por quê? Pois agora saberás!... — riu sonoramente o Raio solar. — O Rei Sol ama-te e quer tomar-te por esposa, mas teu pai opõe-se a isso. Não lhe convém que seu genro seja mais nobre que ele.

— Agora compreendo — murmurou baixinho a princesa —, compreendo tudo... E se eu realmente me casar com o Sol, ele me vestirá com adornos e trajes iguais aos que Geada fará para minha irmã Friagem?

— Meu rei vestir-te-á cem vezes mais belamente e ricamente, princesa! — afirmou com confiança o Menino Raio.

— Bem, então estou pronta para ser esposa de teu rei — disse alegremente Gelo. — Imagino como minhas irmãs e o próprio pai-czar terão inveja de mim quando me virem como a rainha mais rica e nobre do mundo!

E a Princesa Gelo endireitou-se orgulhosamente e lançou ao Menino Raio um olhar como se já fosse sua rainha e ele seu súdito.

— Eis que está excelente, Vossa Alteza, minha futura rainha — disse o Raio, fazendo uma profunda reverência. — Eu já pensava que sois a princesa mais sábia do mundo e que logo compreenderíeis aqueles que sinceramente desejam vosso bem — acrescentou ele com um sorriso fino. — E agora, não vos apraz seguir-me?

— Para onde? — perguntou a princesa, assustada.

— Ao reino do Rei Sol, meu senhor! — respondeu o Raio, fazendo nova reverência.

À Princesa Gelo agradou muito tal tratamento respeitoso. Ela gostava de lisonjas.

O Menino Raio bateu palmas, e num instante surgiu diante dela uma leve carruagem cor da aurora, tecida de pétalas de rosas. Duas abelhas gigantes e peludas puxavam-na.

— Subi depressa, princesa — apressava-a o Menino Raio, ocupando em um minuto o lugar no banco do cocheiro —, senão nossos cavalos, filhos dos dias solares, congelarão em vosso reino frio.

Gelo não se fez rogar duas vezes. A nobreza, o poder e a riqueza que lhe sorriam num futuro muito próximo fizeram-na saltar alegre e levemente para dentro da carruagem rosa, e eles dispararam.

A guarda atônita do palácio de gelo do Czar Frio viu com medo a princesa passar voando por ela, mas antes que pudesse dar o alarme, Gelo e o Raio já estavam longe. Encontraram no caminho a avó Tempestade de Neve, envolta da cabeça aos pés em seu véu branco.

Ela ameaçava com seu cajado, tentando bloquear o caminho da princesa, e gritava:

— Cuidado, princesa, não ouças palavras lisonjeiras! Sê obediente ao pai. Volta! Volta!

Mas o Raio apenas olhou rindo para o rosto da velha, e ela, com uma alta maldição, saiu correndo montanha acima com todas as suas forças.

Enquanto isso, os glaciares brancos e os montes de neve desapareceram. Um aroma de calor e fragrância atingiu a princesa. Diante dela apareceu um jardim luxuoso.

Ali passeavam fadas, aéreas e delicadas como um sonho. Seus longos cabelos brilhavam como ouro, seus lábios escarlates sorriam; seus vestidos leves, tecidos de pétalas de rosas e lírios, eram dos tons mais suaves. Leves e aéreas, elas voavam dançando no ar, fazendo apenas um leve ruído com suas asas delicadas, que pareciam de prata no brilho de um dia de maio.

Num instante, ao verem a princesa aparecer entre elas, começaram a tagarelar com vozinhas finas e sonoras como flautas:

1ª fada: Que menininha bonitinha! 2ª fada: Nada bonitinha! Envolveu-se assim neste calor e parece um pedaço de neve! 3ª fada: Ela tem olhos como um lago azul! 4ª fada: Nossos olhinhos coloridos parecem muito melhores! 5ª fada: Ela não serve para nada. É nada comparada conosco em beleza! 6ª fada: Ela é pesada e desajeitada e não pode girar no ar como nós. 7ª fada: Simplesmente um pingente de gelo, que não tem lugar em nosso maravilhoso reino. 8ª fada: Um pingente feio, e nada mais.

E então todas as fadas juntas gritaram:

— Pingente! Pingente! Pingente!

A pobre Princesa Gelo quis chorar de dor e ofensa. Mas seus olhos azuis não conheciam lágrimas. Seu coração apenas esfriou ainda mais. Encheu-se agora até a borda de um orgulhoso desprezo pelas pequenas fadas devido à sua má atitude para com ela. E ela disse, orgulhosa e em voz alta:

— Ah, agora zombais de mim, pareço-vos feia e ridícula, mas quando eu for vossa senhora, esposa do Rei Sol, vós inclinar-vos-eis profundamente diante de mim e achareis tudo em mim maravilhoso.

E como se já saboreasse sua vitória sobre as fadas zombeteiras, a Princesa Gelo passou orgulhosamente diante delas, envolvendo-as em frio da cabeça aos pés.

— Ah, pingente odioso, o que é que ela diz? — gritaram as fadas delicadas e aproximaram-se ameaçadoramente da Princesa Gelo, agitando suas asinhas bem diante de seu rosto.

De repente, um rumor confuso percorreu o reino luminoso. Milhares de borboletas coloridas voaram em todas as direções. Um bando de cotovias elevou-se no ar azul e começou a cantar em coro.

Ah, que canção era aquela!

Tal canção a Princesa Gelo nunca ouvira em vida em seus glaciares montanhosos. A irmã Tormenta cantava pior, cem vezes pior que as cotovias sonoras.

Os Meninos Raios apareceram em enorme quantidade e formaram duas fileiras num esplêndido campo florido.

— O Rei Sol vem! O Rei Sol vem! — sussurraram as fadas alegres e começaram a arrumar-se na expectativa de seu jovem senhor.

E de repente tudo simultaneamente brilhou maravilhosamente no reino luminoso. A Princesa Gelo até fechou involuntariamente os olhos. Havia tanto brilho e luz ao redor que os olhos doíam.

Inesperadamente apareceu numa carruagem dourada um jovem de cabelos dourados, de uma beleza que Gelo ainda não havia visto. E ele todo irradiava luz; brilhavam até seus cabelos, olhos e vestes. Sobre seus cachos exuberantes repousava uma coroa de ouro, da qual provinha o brilho que feria dolorosamente os olhos. Toda uma comitiva de Meninos Raios aglomerava-se ao redor.

Todas as fadas, ao verem o rei, caíram de joelhos. Apenas a Princesa Gelo avançou orgulhosamente. Lançando um olhar altivo sobre a multidão de fadas, ela olhou ousadamente para

a bela rainha e disse:

— Tolos, pequenos, insignificantes filhos do ar ousaram rir de mim, poderosa princesa, vossa futura soberana. Castiga-os, rei Sol, castiga-os imediatamente!

O rei ergueu ternamente os olhos para a princesa.

— Agora mesmo vereis! Agora mesmo vereis! — pronunciou triunfante Ledinka, dirigindo-se às fadas. — Sou a noiva do rei Sol, e deveis inclinar-vos diante de mim como vossa soberana-rainha.

Ela quis ainda acrescentar algo, mas de repente parou.

Um feixe inteiro de raios irrompeu dos olhos dourados do rei Sol. Como agulhas incandescentes, cravaram-se no rosto de Ledinka.

De seu peito escapou um grito alto; as pernas cederam, os olhos fecharam-se, e ela caiu de costas, pálida como a morte.

E sob o olhar ardente do rei Sol, Ledinka rapidamente derretia, derretia...

Nas montanhas, nos glaciares, o velho rei Frio chorava em desespero ao saber da morte da filha. Geada e Tempestade de Neve uniam-se a ele, lamentando a bela irmãzinha.

E Ledinka derreteu, morreu completamente, morreu, queimada pelo Sol, por seus olhos dourados.

Já não restava dela nenhum vestígio quando o rei Sol ordenou às fadas zombeteiras:

— Formai rodas e cantai canções. Parto para guerrear contra o rei Frio e em breve espero triunfar sobre meu inimigo.

E as fadas, com alegres canções, voaram para diferentes direções levando a alegre notícia, enquanto os homens, com sorrisos felizes, acolheram a boa nova da aproximação do Sol, seu amado e luminoso rei...