Ouvia ela às vezes seu nome também da boca dos antigos patrões.
A patroa, contudo, expressava-se sempre com humildade: "Talvez ainda nos encontremos contigo, Inge! Ninguém sabe para onde irá!"
Mas Inge sabia que sua respeitável senhora não iria parar onde ela estava.
Lentamente, dolorosamente lento, arrastava-se o tempo.
E eis que Inge ouviu novamente seu nome e viu como acima dela brilharam duas estrelas luminosas: era um par de olhos mansos que se fechava na terra. Já haviam passado muitos anos desde que a pequena menina chorara inconsolavelmente pela "pobre Inge": a pequenina crescera, envelhecera e fora chamada por Deus para Si. No último instante, quando na alma acendem com luz brilhante as recordações de toda uma vida, lembrou-se a moribunda também de suas lágrimas amargas por Inge, e de modo tão vivo que involuntariamente exclamou:
"Senhor, talvez também eu, como Inge, sem disso me dar conta, tenha pisado Teus dons bondosos, talvez também minha alma estivesse contaminada pelo orgulho, e somente Tua misericórdia não me deixou cair mais baixo, mas me sustentou! Não me abandones em minha última hora!"
E os olhos corporais da moribunda fecharam-se, enquanto os espirituais se abriram, e como Inge fora seu último pensamento, ela viu com seu olhar espiritual o que estava oculto aos olhos terrestres — viu quão baixo caíra Inge. Diante desta visão, a alma piedosa inundou-se de lágrimas e apresentou-se ao trono do Rei Celestial, chorando e orando pela alma pecadora tão sinceramente quanto chorara quando criança. Estes soluços e súplicas ecoaram na casca vazia que encerrava a alma atormentada, e a alma de Inge ficou como que oprimida por este inesperado amor por ela no céu. Um anjo de Deus chorava por ela! Com o que merecera isto? A alma exausta voltou-se para toda a sua vida, para tudo quanto fizera, e inundou-se de lágrimas tais que Inge jamais conhecera. A compaixão por si mesma encheu-a: parecia-lhe que as portas da misericórdia permaneceriam para sempre fechadas para ela! E então, apenas reconheceu isto com contrição, um raio de luz penetrou no abismo subterrâneo, mais forte que o sol, que derrete um boneco de neve feito no pátio pelos meninos, e mais rápido do que derrete na boca quente de uma criança um floco de neve, derreteu-se a casca petrificada de Inge. Uma pequena pássaro disparou como um relâmpago das profundezas para a liberdade. Mas, encontrando-se no meio da luz branca, encolheu-se de medo e vergonha — temia a todos, envergonhava-se e escondeu-se apressadamente numa fenda escura de alguma parede meio arruinada. Ali ficou sentada, encolhida, tremendo por todo o corpo, sem emitir som algum — pois não tinha voz. Muito tempo ficou assim, antes de ousar olhar em redor e admirar a magnificência do mundo de Deus. Sim, magnífico era o mundo de Deus! O ar era fresco e suave, a lua brilhava intensamente, as árvores e os arbustos exalavam perfume; no cantinho onde se abrigara a passarinha, havia tanto conforto, e sua roupinha era tão limpa e enfeitada. Que amor, que beleza estavam derramados no mundo de Deus! E todos os pensamentos que se agitavam no peito da passarinha estavam prontos para transbordar em canto, mas a passarinha não podia cantar, por mais que o desejasse; não podia cucucar como o cuco, nem trinar como o rouxinol! Mas Deus ouve até o louvor mudo do verme e ouviu também este louvor sem voz, que mentalmente subia ao céu como um salmo que soava no peito de Davi, antes que ele encontrasse para ele palavras e melodia.
O louvor mudo da passarinha crescia dia após dia e apenas aguardava a ocasião de transbordar numa boa ação.
Chegou a véspera de Natal. Um camponês colocou junto à cerca uma vara e amarrou no topo dela um feixe de aveia não debulhado — para que também as passarinhas celebrassem alegremente a festa do Nascimento do Salvador!
Na manhã de Natal, o sol levantou-se e iluminou o feixe; vivamente voaram para o banquete as passarinhas chilreadoras. Da fenda na parede também se ouviu: "piu! piu!" O pensamento transbordou em som, o fraco pio foi um verdadeiro hino de alegria: o pensamento preparava-se para incarnar-se numa boa ação, e a passarinha voou para fora de seu refúgio. No céu sabiam que passarinha era aquela.
O inverno estava rigoroso, as águas estavam presas por espesso gelo, para as aves e os animais da floresta chegavam tempos difíceis. A pequena ave voava sobre a estrada, procurando e encontrando nos sulcos nevados feitos pelos trenós grãozinhos, e junto aos locais de alimentação dos cavalos — migalhas de pão; mas ela mesma comia sempre apenas um grãozinho, uma migalha, e depois chamava para se alimentarem outros pardais famintos. Voava também pelas cidades, olhava em redor e, avistando pedaços de pão espalhados da janela por uma mão misericordiosa, comia também apenas um, e todo o resto dava aos outros.
Durante o inverno, a passarinha recolheu e distribuiu tal quantidade de migalhas de pão que todas juntas pesavam tanto quanto o pão sobre o qual Inge pisara para não sujar os sapatos. E quando foi encontrada e entregue a última migalha, as asas cinzentas da passarinha transformaram-se em brancas e abriram-se amplamente.